No ocidente em primeiro lugar propagaram-se ensinos do Budismo Zen, práticas de meditações realizadas por artistas ficaram conhecidas e trouxeram uma impressão distorcida desta prática. Alguns acreditam que o budismo é uma filosofia que busca uma paz interior, que não é uma religião, algo distante da realidade diária.
Muito pelo contrário o budismo é uma religião prática para ser aplicada e ter efeitos no dia-a-dia.
Encontramos este ensino no Budismo Nitiren, que eu pratico a 23 anos.
Transcrevo abaixo trecho da explanação feita por Daisaku Ikeda, presidente da SGI, do Escrito de Nitiren, Abertura dos Olhos:

O budismo genuíno não anseia por uma utopia em algum reino imaginário. Ao contrário, é uma filosofia que busca transformar a realidade e que aspira à construção de um mundo ideal, aqui mesmo, neste conturbado mundo saha. O foco do budismo é despertar as pessoas para seu poder inato, capacitando-as a desenvolver a força espiritual para superar quaisquer tempestades que venha encontrar no cotidiano.
A essência do budismo, em certo sentido, não está na busca de uma vida plácida como um lago de águas paradas, mas no estabelecimentode um um estado de vida tão sólido e vasto, impossível de ser destruído mesmo pelas ondas mais bravias. Embora almejemos um felicidade modesta, uma situação em nada de mal ocorra, é impossível evitarmos ser golpeados pelos ventos e pelas ondas tempestuosas. Na realidade, as pessoas somente podem assegurar a própria felicidade cultivando sua força interior para avançar intrepidamente, através do turbilhão da escuridão fundamental e do carma. Nesse sentido, a felicidade somente é encontrada em meio à luta.
Construir uma felicidade genuína para si e para os os demais implica, necessariamente, combater as ideologias errôneas e as crenças distorcidas que submetem as pessoas ao sofrimento.
Explanação Abertura dos Olhos, Daisaku Ikeda, tradução Elizabeth Miyashiro, pag. 272